Opinião: Disputa pelo Senado em Pernambuco: conflito real ou estratégia política?
- De: Marcus Oliveira
- julho 2, 2026
Na política, nem tudo o que parece disputa é realmente disputa. Muitas vezes, o maior objetivo não é derrotar o adversário, mas ocupar o noticiário, dominar o debate público e impedir que outros nomes cresçam.
E é exatamente essa sensação que a corrida pelo Senado em Pernambuco começa a transmitir. Enquanto Miguel Coelho e Eduardo da Fonte monopolizam as manchetes e alimentam uma aparente disputa interna, os demais pré-candidatos praticamente desaparecem do radar. Coincidência? Talvez. Estratégia? Muito provavelmente.
A hipótese de que toda essa tensão seja uma encenação política não pode ser descartada. Afinal, a política é feita de movimentos calculados, e não seria a primeira vez que divergências públicas escondessem acordos construídos longe dos holofotes.
Miguel Coelho chega fortalecido. Ex-prefeito de Petrolina, presidente estadual do União Brasil e líder de um dos grupos políticos mais influentes do Sertão, aparece melhor posicionado nas pesquisas de intenção de voto. Sem mandato, não carrega o peso de uma eventual derrota e percorre o Estado ao lado da governadora Raquel Lyra, demonstrando um alinhamento que poucos imaginavam.
Já Eduardo da Fonte possui um patrimônio político invejável. Comanda uma bancada expressiva, tem influência em Brasília, trânsito no Congresso Nacional e uma estrutura partidária consolidada. Mas, diferentemente de Miguel, não consegue transformar esse capital político em desempenho nas pesquisas para o Senado. Além disso, mantém uma postura discreta em relação ao governo estadual, evitando aparições conjuntas e alimentando especulações sobre sua posição dentro da base.
Diante desse quadro, surge uma pergunta inevitável: faz sentido insistir em uma candidatura ao Senado que, até agora, não demonstra competitividade, quando a reeleição para a Câmara dos Deputados parece um caminho muito mais seguro? Politicamente, abrir espaço para Miguel Coelho disputar o Senado e manter Eduardo da Fonte na Câmara poderia fortalecer todo o grupo, reduzindo riscos desnecessários.
Outro nome que acompanha esse jogo é o de Túlio Gadêlha. Sua eventual candidatura também dependerá da viabilidade eleitoral. Caso o cenário permaneça desfavorável, um recuo estratégico não seria surpresa.
Enquanto isso, outro personagem observa atentamente os movimentos: o senador Fernando Dueire. Dependendo da composição final das chapas e das alianças, ele pode ser um dos maiores beneficiados, encontrando espaço para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
No fim das contas, talvez estejamos assistindo muito mais a um espetáculo político do que a uma guerra real. Os discursos são duros, os bastidores são silenciosos e, como quase sempre acontece na política, as decisões mais importantes não são tomadas diante das câmeras.
Minha impressão é que, quando as cortinas se fecharem, muita gente perceberá que o roteiro já estava escrito desde o início. Na política, nem sempre vence quem grita mais. Muitas vezes, vence quem negocia melhor nos bastidores.





