O anúncio feito por Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, não é apenas mais um movimento eleitoral. Ao lançar a pré-campanha de Lucinha Mota à Câmara Federal pelo União Brasil, o gesto carrega simbolismo, estratégia e, sobretudo, uma narrativa que transcende a política tradicional.
Lucinha Mota não surge como um nome fabricado nos bastidores partidários. Sua trajetória é marcada por uma dor que se transformou em propósito. Reconhecida pela defesa incansável das mulheres e das crianças em situação de violência, ela construiu sua atuação pública ancorada em causas concretas, e não em discursos vazios.
Nas eleições de 2022, ao disputar uma vaga para deputada estadual, Lucinha foi a candidata mais votada no Sertão, ficando atrás apenas de Antônio Coelho. Mesmo sem conquistar o mandato, consolidou-se como uma liderança regional expressiva, tornando-se suplente pelo PSDB. O reconhecimento político veio na sequência, com o convite da então governadora eleita Raquel Lyra para assumir a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco. Durante sua curta passagem pela pasta, Lucinha não apenas ocupou um cargo, deixou legado. Projetos estruturantes idealizados em sua gestão, seguem ativos e impactando vidas, evidenciando uma atuação comprometida com resultados. Posteriormente, ao assumir a vereança em Petrolina, enfrentou o desafio do curto tempo para implementar políticas mais robustas, realidade comum a muitos legisladores municipais.
Mesmo após a derrota nas eleições municipais, sua trajetória não sofreu interrupções. Pelo contrário, Lucinha reposicionou sua atuação dentro da gestão estadual, assumindo funções estratégicas e ampliando sua voz na defesa das mulheres vítimas de violência. Iniciativas como o podcast voltado a dar visibilidade às vítimas reforçam sua capacidade de inovar na forma de fazer política e comunicação social.
Na Secretaria Executiva da Mulher de Petrolina, sua atuação tem redesenhado a assistência às mulheres, indo além do campo burocrático das políticas públicas e alcançando ações concretas de acolhimento, proteção e enfrentamento à violência.
É inevitável, no entanto, que sua trajetória seja alvo de críticas. Há quem tente reduzir sua luta à acusação de oportunismo eleitoral, especialmente no que diz respeito à busca por justiça no caso do assassinato de sua filha. Trata-se de uma leitura rasa, e, sobretudo, injusta. Ignora-se que sua atuação nasce justamente desse lugar de dor, de luto e de resistência.
Transformar sofrimento em ação política não é oportunismo. É coragem.Trazer Lucinha Mota para o cenário político nacional significa abrir espaço para pautas urgentes, muitas vezes negligenciadas. Significa reconhecer que a política também deve ser feita por quem conhece, na pele, as falhas do Estado e decide enfrentá-las.
Mais do que uma candidatura, o que está em jogo é a possibilidade de transformar experiências pessoais em políticas públicas eficazes. E, nesse sentido, Lucinha não representa apenas um nome, representa uma causa.