O atual cenário político de Camaragibe revela, mais uma vez, como decisões estratégicas equivocadas podem custar caro a partidos com tradição e capilaridade. Ao contrário do PSDB, que, segundo críticos, tem adotado movimentos que fragilizam sua própria estrutura interna e consegue a cada dia dispersar nomes fortes do partido, o PSB parece empenhado em reorganizar suas bases e recuperar protagonismo em territórios onde perdeu espaço nos últimos tempos.
A leitura desse movimento passa, necessariamente, por uma autocrítica. Em Camaragibe, o PSB abriu mão de protagonizar uma chapa majoritária para apoiar Diego Cabral, decisão que, à época, pode ter parecido estratégica, mas que hoje é amplamente vista como um erro político. A posterior reconfiguração de alianças, com a aproximação de Cabral à governadora Raquel Lyra, consolidou um distanciamento que deixou o partido sem espaço na gestão municipal e sem controle sobre o projeto que ajudou a eleger.
Nesse contexto, o PSB tenta reposicionar suas peças. Sob a liderança de João Campos, o partido vem apostando em nomes que combinem renovação, articulação política e presença territorial.
A pré-candidatura de Ednaldo Moura em Camaragibe surge justamente como resposta a esse reposicionamento. Ednaldo representa um perfil que o PSB busca resgatar: jovem, técnico, com trajetória no serviço público, mas também com inserção social por meio de iniciativas como o projeto Viva Camaragibe. Sua atuação como quadro da administração pública e sua circulação em espaços de poder, dialogando com lideranças como o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin, indicam um capital político que vai além das fronteiras locais.
Mais do que isso, sua proximidade com Pedro Campos e com o próprio João Campos o posiciona dentro de um eixo estratégico nacional do PSB, o que pode garantir musculatura política e institucional a um eventual projeto majoritário.
Enquanto isso, o cenário local segue marcado por uma oposição fragmentada. Nomes que poderiam protagonizar o debate, optam por uma atuação mais discreta, abrindo espaço para que Ednaldo se consolide como uma das poucas vozes críticas consistentes à atual gestão municipal.
O que está em jogo, portanto, não é apenas a eleição de 2026, mas a reconstrução de uma identidade política. O PSB, ao lançar um nome competitivo e alinhado com sua nova estratégia, sinaliza que aprendeu com os erros do passado. Resta saber se essa movimentação será suficiente para reverter o desgaste provocado pela aliança anterior e reconquistar a confiança do eleitorado de Camaragibe.
Se conseguir consolidar essa estratégia, o partido não apenas corrige uma rota equivocada, mas também reposiciona Camaragibe no mapa político estadual, desta vez, como prioridade, e não como moeda de troca.