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Opinião: Quando a transparência não é permanente e sim conveniente, abre-se as portas para “fake news”

A gestão da governadora Raquel Lyra volta ao centro do debate público não apenas pelas ações que executa, mas, sobretudo, pela forma como comunica, ou deixa de comunicar, seus atos.

Em tempos de hiperconectividade e disputa narrativa permanente, a ausência de informações claras, com começo, meio e fim, abre espaço para especulações, ruídos e a proliferação do que a própria governadora costuma chamar de “turma da fake news”.

O problema, no entanto, parece anteceder a crítica. Quando o governo não apresenta dados objetivos, cronogramas transparentes e prestação de contas acessível, instala-se um panorama de incerteza. Nesse vácuo informacional, versões paralelas prosperam. E não se trata apenas de embates ideológicos: a falta de transparência institucional fragiliza a confiança pública e alimenta a percepção de que há algo a esconder.

Um exemplo citado por críticos é o andamento da reestruturação do Hospital da Restauração, equipamento estratégico da rede estadual de saúde. A cobrança não é apenas por obras físicas, mas por clareza: quais etapas foram concluídas? Qual o prazo real? Quanto foi investido? Sem respostas objetivas e atualizações frequentes, a narrativa oficial perde força e entrega munição aos opositores.

Ao reagir às críticas atribuindo-as genericamente à “turma da fake news”, o governo corre o risco de simplificar um debate que exige mais profundidade. Informação pública não é favor, é dever constitucional. Transparência não pode ser episódica, apresentada como surpresa conveniente, mas permanente, previsível e estruturada.

Outro caso que ilustra essa percepção é a condução de obras em unidades de ensino, como o Colégio Americano Batista, apontado por críticos como exemplo de intervenção cercada por tapumes e pouca publicidade institucional sobre etapas e resultados. A metáfora das “cortinas que só se abrem no momento oportuno” reforça a ideia de que o governo prefere anunciar resultados prontos a compartilhar processos em andamento.

Essa estratégia pode funcionar do ponto de vista político, mas apresenta riscos administrativos. Governos que comunicam apenas quando lhes convém acabam permitindo que adversários ocupem o espaço entre o silêncio e o anúncio oficial. E, nesse intervalo, prosperam as ilações.

O discurso do “Estado de Mudança”, marca defendida pela atual gestão, exige coerência entre prática e comunicação. Mudança também significa romper com vícios históricos da política pernambucana: centralização de informações, decisões pouco transparentes e anúncios concentrados em momentos estratégicos.

A crítica, portanto, não é sobre a existência de oposição, algo inerente à democracia, mas sobre a responsabilidade do poder público em reduzir ruídos por meio de transparência ativa. Quanto menos informação oficial qualificada circula, maior é o terreno fértil para distorções.

No embate entre governo e críticos, a sociedade permanece como principal interessada. O cidadão não precisa de narrativas prontas, mas de dados verificáveis, cronogramas públicos e prestação de contas contínua. Sem isso, qualquer gestão, seja qual for, estará sempre vulnerável às “fake news” que diz combater.

Marcus Oliveira

Marcus Oliveira

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