Política

Opinião: Os jogos começaram

Caríssimos leitores,
É evidente que, até o dia mais aguardado das eleições, muitas águas ainda vão rolar. E, como em todo enredo político que se preze, o que hoje parece sólido pode ruir amanhã ao sabor de conveniências bem calculadas.

Nos bastidores, onde os sorrisos são largos e os apertos de mão nem sempre sinceros, cresce a sensação de que algumas peças já estão sendo movimentadas com precisão cirúrgica. Não se trata apenas de disputa por votos, trata-se de sobrevivência, influência e manutenção de espaços na chamada “corte” do poder.

Seria mera coincidência que determinadas revelações surjam justamente quando um personagem específico passa a incomodar demais? Ou estaríamos assistindo à clássica substituição de peças no tabuleiro, quando um jogador deixa de ser útil e passa a ser um obstáculo?

Na política, a memória é curta, mas a estratégia é longa. Um político pode acumular recursos, apoios e tempo de estrada. Pode acreditar-se indispensável. Mas, quando se transforma em pedra no sapato dos poderosos, descobre que o jogo não é sobre lealdade, é sobre conveniência.

Quem estaria, afinal, soprando as primeiras rajadas desse furacão eleitoral? Quem ganha com a queda anunciada? A derrocada de um homem pode representar a ascensão silenciosa de outro. E, enquanto a opinião pública se distrai com discursos inflamados e versões oficiosas, decisões cruciais são tomadas longe dos holofotes.

Não há inocência no xadrez do poder. O peão que avança demais, mesmo com mobilidade, pode ser sacrificado. A torre que se julga intocável pode ser cercada. E o rei, bem, o rei raramente cai sozinho.

Talvez estejamos diante de mais um capítulo previsível: a eliminação calculada de uma figura “não grata”, cuja permanência passou a ameaçar interesses maiores. Se for isso, não veremos apenas uma queda, veremos uma coreografia cuidadosamente ensaiada.

Resta ao eleitor a pergunta essencial: estamos diante de um processo legítimo de depuração política ou de um descarte estratégico travestido de moralidade?

Porque, no fim das contas, quando máscaras caem, não revelam apenas um rosto. Revelam todo um sistema.
E até o dia da votação, muitas outras podem cair.

Marcus Oliveira

Marcus Oliveira

Sobre o Autor

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