Cidades

Mais mistério no sistema prisional: mortes e tentativas de suicídio marcam o início do ano em Pernambuco

2025 findou marcado por episódios graves e ainda pouco esclarecidos no sistema prisional pernambucano. Casos de mortes e supostas tentativas de suicídio envolvendo detentos levantam questionamentos sobre as condições de custódia, a assistência prestada e, sobretudo, a transparência das autoridades responsáveis.

Em Buíque, no Agreste do Estado, uma detenta teria cometido uma suposta tentativa de suicídio dentro da unidade prisional. Ela foi socorrida e permanece internada em estado grave no Hospital Regional Ruy de Barros Correia, em Arcoverde. O caso, no entanto, ganha contornos ainda mais controversos com a informação de que o companheiro dela, que cumpria pena no Presídio Advogado Brito Alves (PABA), em Arcoverde, teria tirado a própria vida após ser informado de que a esposa havia “se suicidado”.

A sequência dos fatos causa estranhamento e levanta dúvidas. É, no mínimo, controverso que um detento, ao receber a notícia da morte da companheira, também venha a óbito em circunstâncias semelhantes, sem que haja esclarecimentos oficiais detalhados. O episódio exige investigação rigorosa e respostas claras das autoridades competentes.

Enquanto isso, a detenta segue internada em uma UTI, sem identificação oficial divulgada e, segundo informações apuradas, sem que familiares tenham autorização para visitá-la, o que agrava ainda mais o clima de apreensão e incerteza em torno do caso.

Outro episódio chegou ao conhecimento da reportagem envolvendo a Colônia Prisional Feminina de Abreu e Lima, conhecida como COTELA, anexo do Complexo Prisional do COTEL. Uma detenta teria morrido dentro da unidade, supostamente em uma cela disciplinar, popularmente chamada de “cela de castigo”. Mais uma vez, as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidas.

A reportagem procurou a Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco (SEAP) e solicitou nota oficial sobre os casos, mas não obteve retorno da assessoria de comunicação, que insiste em manter distanciamento dos canais de notícias, inclusive bloqueando quem tenta informações.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) também foi acionada, porém apresentou a morte do que seria uma quarta vítima, sendo essa fatal. De acordo com a nota, uma detenta da Colônia de Buíque, “uma mulher de 55 anos, passou mal no interior da unidade prisional do município, foi socorrida a uma unidade hospitalar, onde veio a óbito. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO)”.

Diante da ausência de informações precisas, permanece a sensação de falta de transparência quando o assunto envolve mortes e ocorrências graves dentro do sistema prisional. A chamada “lei do silêncio” contribui para o aumento das desconfianças e reforça a necessidade de investigações independentes, além de respostas públicas claras à sociedade.

Casos como esses não podem ser tratados com naturalidade ou esquecimento. A vida de pessoas sob custódia do Estado exige responsabilidade, fiscalização e, acima de tudo, esclarecimentos. Enquanto isso não ocorre, as perguntas seguem sem resposta.

Marcus Oliveira

Marcus Oliveira

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