Cidades

Governadora nomeia 300 Policiais Penais: Quando a mudança vai, de fato, chegar aos sistema prisional? Entenda

Nos últimos três anos, o que mais se ouviu foram apelos quase desesperados de policiais penais aprovados em concurso público, clamando pela nomeação. Paralelamente, sindicatos, forças de segurança, parlamentares e até gestores públicos repetiram à exaustão o mesmo argumento: o colapso do sistema prisional de Pernambuco seria consequência direta do déficit de efetivo.

A narrativa era clara e conveniente. A falta de policiais estaria por trás de irregularidades graves como corrupção, tráfico de drogas, assassinatos, extorsões e do fortalecimento dos chamados “chaveiros”, presos que, na prática, passaram a exercer o controle interno das unidades. Um modelo informal de gestão que expôs o Estado à perda completa da autoridade dentro dos presídios.

Passado quase todo o terceiro ano da gestão da governadora Raquel Lyra, o cenário pouco mudou. Mesmo após prisões de gestores, afastamentos administrativos e sucessivas operações, as denúncias persistem: entrada de celulares, drogas e até relatos de prostituição infantil continuam a assombrar o sistema penitenciário pernambucano.

Agora, com a nomeação de 300 novos policiais penais e a promessa oficial de que o restante do grupo será chamado em até dois meses, surge a pergunta que não quer calar: a partir de quando os pernambucanos começarão, de fato, a usufruir dessa mudança?

Se antes a ausência de efetivo era apontada como a raiz de todos os problemas, o discurso do governo começa a mudar. O secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco, Paulo Paes, já evita promessas de resolução estrutural. Em declaração recente, limitou-se a afirmar que “a nomeação de novos policiais penais vai contribuir com a segurança penitenciária”.

A mudança no tom chama atenção. Afinal, após anos de condicionamento da opinião pública à ideia de que as nomeações resolveriam o caos, o que se espera agora não é apenas contribuição, mas resultados concretos. A sociedade quer saber se os novos policiais terão respaldo institucional, estrutura adequada, comando eficiente e políticas claras de enfrentamento ao crime organizado dentro das unidades.

O questionamento se torna ainda mais sensível quando se observa a distribuição dos recursos públicos. Para 2025, o orçamento previsto para a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP) ultrapassa R$ 703 milhões. Em contraste, áreas centrais para a prevenção da violência e o enfrentamento das desigualdades sociais recebem valores significativamente menores: Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas: R$ 89,6 milhões
Secretaria da Mulher: R$ 98,9 milhões
Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência: R$ 88,9 milhões
Secretaria da Criança e Juventude: R$ 21,1 milhões

Os dados, disponíveis no Portal da Transparência, revelam um paradoxo: enquanto o sistema prisional concentra um volume expressivo de recursos, as políticas sociais, reconhecidamente fundamentais para reduzir a criminalidade, permanecem em segundo plano.
Diante desse cenário, a questão central permanece sem resposta: o investimento bilionário no sistema prisional e a tão aguardada nomeação dos policiais penais vão romper o ciclo de ilegalidades ou apenas manter a lógica de contenção do problema?

Mais do que números, cargos ou discursos amenizados, Pernambuco cobra eficiência, transparência e uma mudança real dentro dos muros dos presídios. O tempo das promessas parece ter se esgotado.

Marcus Oliveira

Marcus Oliveira

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