Opinião

Câmeras de Videomonitoramento em Pernambuco: Tecnologia Avança, Mas a Segurança Ainda Carece de Estratégia Humana

O Governo de Pernambuco anunciou um investimento de R$ 122,9 milhões na instalação de duas mil câmeras de videomonitoramento, com tecnologia digital e inteligência artificial. Esse passo promete modernizar a segurança pública no estado, mas levanta questionamentos importantes sobre a eficácia do combate à violência, sem um investimento proporcional no fator humano e na reestruturação estratégica das ações policiais.

Embora o avanço tecnológico seja bem-vindo, a realidade vivida nas ruas demonstra que a violência não será reduzida apenas por equipamentos modernos. Atualmente, um atendimento policial, que inicia com a chamada do cidadão junto ao Centro Integrado de Operações da Defesa Social – CIODS, pode levar de 01h30 a 03h para ser concluído. Esse tempo é reflexo da falta de estrutura organizacional, planejamento estratégico e de diretrizes claras para as forças de segurança. Viaturas frequentemente são vistas estacionadas em estabelecimentos comerciais em vez de patrulharem ou atenderem ocorrências. A polícia militar parece operar à deriva, sem uma coordenação eficiente que priorize a prevenção e o atendimento rápido.


O programa “Juntos pela Segurança”, que engloba iniciativas como a instalação das câmeras, precisa entender que a prevenção é o primeiro passo no combate à violência. Investir em policiamento ostensivo, projetos sociais e políticas públicas que abordem as raízes da criminalidade — como a falta de educação, emprego e acesso a serviços básicos — é tão crucial quanto a adoção de novas tecnologias. Grandes tragédias podem ser evitadas se pequenos atos de violência forem combatidos com rapidez e eficiência.


Ainda que as câmeras possam auxiliar na identificação de criminosos e na resolução de crimes, elas não substituem a presença de policiais capacitados, atuantes e próximos das comunidades. O efetivo policial precisa de treinamento contínuo e melhores condições de trabalho para desempenhar suas funções com eficácia. Uma segurança pública eficiente requer a combinação de tecnologia e presença humana.

A governadora Raquel Lyra, ao destacar a importância desse investimento, apontou a redução nos índices de homicídios como um reflexo das ações integradas. No entanto, é imprescindível que esse esforço vá além da tecnologia e inclua medidas para tornar o trabalho policial mais ágil, organizado e humano.

O discurso do poder público enfatiza o impacto positivo das câmeras, mas a população segue sofrendo com a demora no atendimento policial e com a insegurança nas ruas. Pernambuco não pode negligenciar o investimento em capital humano e na formulação de políticas públicas que priorizem a presença efetiva do Estado, tanto no combate direto ao crime quanto na redução das desigualdades que o alimentam.

O reforço tecnológico é importante, mas não pode ser a única solução para a violência. Pernambuco precisa de uma segurança pública que valorize tanto a inteligência artificial quanto a inteligência humana. O verdadeiro avanço será alcançado quando a tecnologia e a presença de policiais bem preparados andarem de mãos dadas, com uma estratégia clara que priorize a prevenção e o cuidado com a população. Caso contrário, os R$ 122,9 milhões investidos serão apenas um paliativo diante de um problema que exige soluções estruturais.

Por Marcus Paulo

Marcus Oliveira

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