Camaragibe: Presidente do SIMCACE denuncia violência de gênero por parte da gestão municipal
- De: Marcus Oliveira
- dezembro 12, 2025
Em plena semana marcada por discursos públicos contra a violência de gênero, um novo questionamento surge no município de Camaragibe: como mulheres trabalhadoras da saúde estão sendo tratadas pela gestão que se diz comprometida com o combate às injustiças?
O SIMCACE — Sindicato Metropolitano dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, tornou pública uma série de denúncias sobre as condições em que suas profissionais vêm sendo submetidas. A entidade, representada pela presidente Rosileide Machado Prado, que também atua no FNARAS, aponta um cenário de sobrecarga, ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), pressões que têm causado adoecimento e, principalmente, descontos considerados injustos na folha de pagamento.
Segundo o sindicato, trabalhadoras vêm tendo o ponto registrado como falta apenas por não inserir observações específicas no sistema eletrônico no dia em que estão em gozo de atividade externa com a devida anuência da chefia imediata, um sistema que, em muitos casos, só pode ser acessado pelo próprio celular das profissionais, já que parte da categoria não recebeu tablets disponibilizados pela gestão municipal.
A pergunta que fica é: é razoável responsabilizar a trabalhadora por limitações tecnológicas que deveriam ser supridas pela prefeitura?
Por que a gestão feminina da saúde se recusa a corrigir falhas apontadas como injustas pelo sindicato?
De acordo com o SIMCACE, cada pedido administrativo para revisão dos descontos tem sido negado sob a justificativa de que o registro no ponto eletrônico é “responsabilidade exclusiva da trabalhadora”.
Mas se antes, no sistema físico, as correções eram feitas de maneira justa e frequente, por que agora a gestão assume uma postura considerada inflexível e sem diálogo? O que mudou? A sensibilidade administrativa ou o compromisso com quem está na linha de frente?
O sindicato questiona ainda por que tantas ACS e ACE seguem trabalhando sem protetor solar, sem fardamento e sem outros materiais essenciais, mesmo desempenhando funções expostas ao sol, ao risco biológico e ao contato direto com a população.
Além disso, trabalhadoras relatam serem pressionadas a cumprir tarefas fora das atribuições previstas em lei federal.
Até que ponto essa cobrança extrapola o limite do abuso laboral?
Se a maioria dessas profissionais são mulheres, onde está a política de cuidado entre mulheres?
O SIMCACE reforça um ponto sensível: a gestão atual da saúde municipal é composta por mulheres. Diante disso, o sindicato questiona:
empoderamento feminino não deveria significar empoderar outras mulheres?
Se a violência contra a mulher vai além da agressão física, abrangendo também o adoecimento emocional, o desrespeito e a negligência institucional, como a gestão justifica essa postura diante de uma categoria formada majoritariamente por trabalhadoras?
Há espaço para diálogo ou a insensibilidade continuará sendo a marca da administração?
Após diversas tentativas de resolução administrativa, ainda segundo o sindicato, as portas seguem fechadas e os descontos permanecem. Por quê? Qual é a justificativa para negar um direito básico de revisão quando o trabalho foi efetivamente realizado?
O que dizem a vice-prefeita e a governadora?
A carta aberta é direcionada à vice-prefeita de Camaragibe e à governadora Raquel Lyra.
Com isso, o questionamento central se amplia: até quando mulheres que governam permitirão que outras mulheres trabalhadoras sejam tratadas com tamanha injustiça?
O caso agora está posto ao debate público.
Resta saber: quem, dentro da gestão, dará uma resposta? E quando?





