Opinião

Camaragibe: A previsibilidade na disputa pela Presidência da Câmara de Vereadores: Um vale a pena ver de novo

A recente eleição de Diego Cabral como prefeito de Camaragibe trouxe esperança de renovação e progresso para a cidade, mas o cenário político local já mostra que a disputa de bastidores pelo poder ainda segue o roteiro de uma novela antiga e previsível. A corrida pela presidência da Câmara de Vereadores, um dia após a confirmação do resultado nas urnas, ilustra a fragilidade e o dinamismo das alianças políticas no município.

De um lado a união articulada pelos vereadores reeleitos Paulo André, Júnior do Borralho, Moisés Meu Santo e Cabeça, que, estrategicamente, se aliaram aos recém-eleitos André da Farmácia, Acrécia da Saúde e Clara Cabral. Essa coalizão, claramente desenhada para garantir o controle da mesa diretora da Câmara, posiciona-se como uma possível oposição ao prefeito eleito. Do outro lado, Diego Cabral tenta costurar apoios para eleger Toninho Oliveira como presidente da Câmara, consolidando sua base e criando um cenário mais favorável à sua gestão.

Essa disputa, no entanto, não é inédita nem surpreendente. Ela reflete a polarização típica da política municipal, em que alianças pragmáticas são feitas e desfeitas conforme os interesses do momento. O eleitor, que acaba de depositar sua confiança em novos líderes, já se vê diante de uma narrativa que pouco dialoga com as necessidades reais da população. O jogo de poder que se desenrola nos bastidores revela um distanciamento da classe política das demandas mais urgentes da cidade.

A escolha do presidente da Câmara é crucial, pois essa figura tem o poder de facilitar ou dificultar a gestão do prefeito. Contudo, ao que tudo indica, a prioridade dos envolvidos parece ser a manutenção de seus próprios espaços de influência, e não a construção de um pacto por governabilidade e desenvolvimento. Isso reforça o sentimento de descrédito que muitos eleitores têm em relação à política: a impressão de que os interesses partidários e individuais sobrepõem-se às questões coletivas.

Embora a política seja, naturalmente, um campo de negociações, a expectativa é que os vereadores e o prefeito eleito possam olhar além das disputas imediatas e focar no que realmente importa: melhorar a qualidade de vida dos cidadãos de Camaragibe. A cidade, como tantas outras no Brasil, enfrenta desafios significativos em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura, que demandam esforços conjuntos entre os poderes Executivo e Legislativo.

Neste momento, cabe ao prefeito eleito e aos vereadores um papel essencial: mostrar maturidade política e responsabilidade com o mandato que lhes foi confiado. A população de Camaragibe merece que as decisões tomadas nas próximas semanas sejam baseadas no compromisso com o bem comum, e não na perpetuação de disputas que apenas desgastam a confiança no sistema político.

A trama que se desenrola pode até parecer uma novela sem fim, mas os protagonistas têm a chance de mudar o enredo. Basta que optem pelo diálogo e pela cooperação, em vez da mera luta por controle. A audiência, afinal, espera mais do que uma reprise: deseja novos capítulos que tragam esperança e mudança real para Camaragibe.

Por Marcus Oliveira

Marcus Oliveira

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