Audiência pública debate falhas na gestão da educação estadual e cobra respostas do governo
- De: Marcus Oliveira
- abril 1, 2025

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma audiência pública foi realizada na manhã desta terça(01), para discutir as ações da Secretaria de Educação do Estado. Durante o evento, o Secretário Gilson Monteiro Filho foi amplamente sabatinado por deputados, representantes da sociedade civil e estudantes, que cobraram respostas sobre diversas demandas que ainda não foram executadas pela gestão da governadora Raquel Lyra.
Uma das principais reivindicações foi em relação ao Programa Ganhe o Mundo, que segue sem prazo determinado para conclusão. De acordo com as cobranças apresentadas, atualmente, cerca de 700 alunos que passaram na seleção aguardam sem saber se conseguirão participar antes de atingirem a idade limite. A incerteza gerou revolta entre os estudantes e parlamentares presentes.
Outro ponto polêmico abordado foi a merenda escolar. O deputado estadual Antônio Coelho, presidente da Comissão de Educação da Alepe, criticou a falta de justificativas concretas do secretário e enfatizou que “os alunos não querem saber de processo licitatório, pois eles sentem fome”. Ele ainda destacou que “a gestão Raquel Lyra impõe constrangimento aos alunos, e eles estão indignados com o serviço”.
O deputado Diogo Moraes chamou atenção para a falta de transparência nos processos do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que “dificultam a fiscalização e geram diversas interpretações”. Em vários momentos da audiência, as falas do secretário deram a entender que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) seria o grande vilão da Educação. No entanto, o deputado Rodrigo Farias rebateu: “O TCE não foi criado em janeiro de 2023. Foi criado desde 1967 e todos os governadores e governos de Pernambuco foram submetidos e fiscalizados por um órgão que na sua essência controla a gestão financeira do estado. Não se deve colocar a culpa no Tribunal. O problema está dentro do governo. Falta uma governadora que chame o problema para si. Falta capacidade gerencial”.
Questionado sobre a ausência de um projeto para o prédio que abrigava o Colégio Americano Batista, o secretário de Educação afirmou que já existe um projeto e a empresa responsável pela execução, mas não apresentou dados concretos para comprovar a afirmação.
Os estudantes da rede pública também expuseram várias denúncias, como a falta de fardamento e a péssima qualidade da merenda, que já teria sido servida com a presença de bichos. Enquanto isso, deputados da base do governo tentaram defender a evolução da gestão Raquel Lyra em relação aos governos anteriores, mas suas justificativas não convenceram a plateia.
Durante a sessão, foram apresentadas denúncias de perseguição aos alunos, por parte de gestores escolares. O Deputado Waldemar Borges cobrou celeridade no processo de investigação e punição. Para a Deputada Dani Portela a ação dos gestores configura como “coação e ameaça”.
“Se esses fatos forem verdade isso é um comportamento de um fascismo que a sociedade não admite mais e essa Casa não vai admitir esse tipo de comportamento”, frisou Waldemar Borges.
A audiência pública demonstrou um ambiente de insatisfação generalizada com a condução da Educação Estadual e reforçou a pressão para que o governo apresente soluções concretas para os problemas enfrentados pelos estudantes pernambucanos.