Paulo Câmara encerrou seu ciclo como governador de Pernambuco deixando um legado que, para muitos, é lembrado por críticas e ressentimentos. Apontado como uma escolha estratégica do ex-governador Eduardo Campos, Paulo chegou ao Palácio das Princesas não por aclamação popular, mas por articulação política.
O resultado disso, na visão de muitos pernambucanos, foi uma gestão marcada pela apatia, decisões controversas e uma desconexão evidente com as necessidades da população.
O “presente” de Lula – a presidência do Banco do Nordeste – parece ter sido mais um refúgio do que um reconhecimento, um cargo que lhe permitiu se afastar temporariamente dos holofotes e da pressão política. Afinal, para quem é constantemente lembrado como um dos piores governadores de Pernambuco, sair de cena por um tempo talvez tenha sido estratégico.
Agora, ao se movimentar nos bastidores e flertar com a possibilidade de retornar à política ativa, Paulo Câmara enfrenta o desafio de reconquistar a confiança popular – ou ao menos consolidar apoio suficiente entre aliados. A estratégia, já conhecida, de alternar entre a negação e a aceitação de intenções políticas reflete a postura calculada e discreta que sempre o caracterizou: alguém que prefere o poder à exposição pública.
Mas o que o futuro reserva para Paulo Câmara? A resposta depende de sua capacidade de reinventar sua imagem. Se insistir nos erros do passado e na distância do povo, é provável que continue a ser lembrado como uma figura apagada, um gestor que ficou aquém das expectativas.
Contudo, em tempos de polarização e memória política curta, não é impossível que ele encontre brechas para retomar protagonismo, mesmo que sob desconfiança.
No fim das contas, os pernambucanos serão o verdadeiro termômetro do retorno de Paulo Câmara à cena política. Por ora, resta observar – e cobrar – para que o futuro do estado não seja novamente ofuscado por gestões ineficientes e discursos vazios.
Por Marcus Oliveira