O Brasil perdeu, nesta sexta-feira 21, uma figura icônica da medicina e da superação pessoal.
Dr. Miguel Wanderley Sátyro, referência em patologia clínica e um dos pioneiros do Hospital do Câncer de Pernambuco, faleceu deixando um legado que transcende sua atuação profissional. Ele foi o primeiro médico com deficiência no país, uma conquista marcada por coragem e determinação.
Natural de Patos, na Paraíba, era portador de uma rara e misteriosa doença que o impossibilitou de andar desde jovem, Dr. Sátyro usou muletas e posteriormente cadeira de rodas. Mesmo diante das limitações impostas pela deficiência, lutou incansavelmente pelo direito de cursar medicina, enfrentando barreiras legais e sociais. Sua persistência culminou em uma vitória histórica no Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu sua matrícula no curso e abriu portas para a inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior.
Graduado em medicina, Dr. Sátyro dedicou-se à patologia clínica e tornou-se uma das maiores referências da área no estado de Pernambuco.
Durante mais de 40 anos, foi um dos primeiros médicos do Hospital do Câncer de Pernambuco, contribuindo significativamente para o atendimento e diagnóstico de pacientes oncológicos.
Além disso, exerceu a docência na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) durante muitos anos, onde inspirou gerações de futuros médicos com seu exemplo de resiliência, excelência e humanidade.
Sua trajetória rompeu paradigmas, mostrando que a deficiência não define o limite de ninguém. Como médico e professor, Dr. Miguel Wanderley Sátiro foi um farol de esperança e inspiração para aqueles que enfrentam desafios físicos ou sociais. Sua história continua sendo um marco de inclusão e inovação no campo da medicina brasileira.
O falecimento de dessa figura representa uma perda irreparável, mas seu legado permanece vivo, lembrando-nos de que a determinação humana pode superar barreiras aparentemente intransponíveis.
Dr. Sátyro morreu aos 87 anos, deixando sua esposa, D. Flávia Alves Sátyro e seu enteado, Dr. Normando Siqueira Carneiro. Seu corpo foi cremado numa emocionante cerimônia no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Pernambuco.