- De: Marcus Oliveira
- fevereiro 28, 2026
O cenário político de Camaragibe começa a revelar movimentos que vão muito além de um simples gesto de apoio.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo André (PSB), e o ex-vereador René Cabral declararam apoio ao ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho(Republicanos), hoje pré-candidato ao Senado Federal nas eleições de 2026. O gesto, por si só, já carrega simbolismo. Mas o que mais chamou atenção foi quem não apareceu.
O prefeito Diego Cabral esteve ausente do encontro, o que gera especulação por conta de sua afinidade e constantes alianças com o ministro. Oficialmente, nada foi dito. Extraoficialmente, as explicações circulam nos bastidores. Desde as eleições municipais, quando os irmãos Cabral ocuparam palanques distintos, com Diego saindo vitorioso, as fissuras familiares transbordaram para o campo político. As rusgas permaneceram, os ressentimentos se consolidaram e os antigos alinhamentos já não parecem tão sólidos.
A pergunta inevitável é: Diego foi convidado? Ou o distanciamento entre ele e seu antigo padrinho político já ultrapassou o campo das divergências estratégicas e alcançou o terreno da ruptura silenciosa?
Nos corredores da política estadual, comenta-se que há um descontentamento do ministro, aliado do presidente Lula, com a decisão de Diego apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra, sem consultar o partido. O gesto teria sido interpretado como ato de autonomia excessiva ou, para alguns, deslealdade.
Em política, decisões individuais quase sempre são recados. Enquanto isso, Silvio Costa Filho amplia apoios e consolida alianças estratégicas pelo estado. O movimento se intensificou especialmente após o desgaste envolvendo o nome de Miguel Coelho, que também se movimenta nos bastidores em busca de espaço e diálogo com o prefeito do Recife, João Campos, hoje uma das principais lideranças do PSB nacional e cotado para disputar o Governo de Pernambuco.
Outro silêncio que ecoa é o do deputado estadual João de Nadegi (PV). Figura que outrora compunha a chamada “tríplice aliança” com Diego e Silvinho, João também não foi visto no encontro. Coincidência? Estratégia? Reposicionamento? Ainda que contribua com a pré-candidatura de Carlos Costa à Câmara Federal e mantenha aparições pontuais, sua ausência pública ao lado do ministro chama atenção.
O que antes parecia um bloco coeso hoje soa fragmentado. Os três inseparáveis já não dividem o mesmo palco, ao menos não sob os holofotes. Na política, ausências falam tanto quanto presenças. E, muitas vezes, dizem mais.
Resta saber se estamos diante de um redesenho estratégico natural do período pré-eleitoral ou do início de uma ruptura definitiva entre lideranças que, até pouco tempo, marchavam sob a mesma bandeira.
A pergunta que não quer calar permanece: trata-se apenas de agendas desencontradas ou de um rompimento cuidadosamente administrado?
Em 2026, o eleitor responderá. Mas até lá, cada gesto e cada ausência, seguirá sendo interpretado como peça de um jogo maior.





