- De: Marcus Oliveira
- fevereiro 24, 2026
Durante a entrega de mais uma rua pavimentada em Camaragibe, o prefeito Diego Cabral protagonizou um discurso inflamado, marcado por desabafos e declarações que causaram estranheza para o momento. Em tom exaltado, o gestor anunciou que “nunca teve um prefeito e uma equipe como a nossa na história de nossa cidade”, diante de um público formado majoritariamente por comissionados e apoiadores, que faziam figuração no evento institucional.Para quem acompanha os bastidores da política local, a fala do prefeito soou como contraditória. Diego, antes de assumir a prefeitura, comandou uma das pastas mais robustas da administração municipal, a Secretaria de Obras e Infraestrutura, cota do seu padrinho político, o ministro dos portos e aeroportos, Silvio Costa Filho, sem deixar muitas ações como secretário. Deixou encaminhados diversos processos licitatórios que hoje resultam nas pavimentações apresentadas como marcas de sua gestão, estrategicamente. À época, contava com o apoio maciço do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que consolidou sua candidatura ao abrir mão de nomes como Ednaldo Moura e Paulo André, então cotados para a disputa municipal.No entanto, após a eleição, o cenário político mudou. Considerado um nome promissor da base socialista e um futuro apoiador da candidatura de João Campos, Diego rompeu com Silvio Costa Filho, e se aproximou da governadora Raquel Lyra (PSD).Grandes anúncios feitos como conquistas exclusivas da atual gestão, têm forte participação do Governo do Estado. Entre eles, a requalificação da PE-027 (Estrada de Aldeia), melhorias no terminal integrado e repasses milionários para pavimentação urbana, investimentos viabilizados por meio da nova aliança política.No discurso enervado, além da autoproclamação, o prefeito direcionou críticas veladas a ex-gestores como Jorge Alexandre, depreciou a gestão de Nadegi Queiroz, além de insinuar ataques sofridos nas redes sociais por adversários não nominados. A postura foi vista como desnecessária e deslocada do contexto da solenidade, numa narrativa vazia, com tom de desabafo.O pano de fundo do discurso, porém, parece ir além da retórica. Nos bastidores, há forte tensão política diante da possibilidade de uma reconfiguração do cenário estadual nas próximas eleições. Um eventual retorno do PSB ao comando do Estado poderia isolar o atual prefeito, dificultando qualquer tentativa de reconciliação com antigos aliados, muitos dos quais se sentiram traídos pelo rompimento político.Sem margem clara para recompor pontes e cercado por adversários históricos, Diego Cabral parece governar sob o peso de alianças recentes e rupturas profundas. O discurso na entrega da rua, mais do que celebração de obra pública, soou como um recado e talvez como um reflexo da instabilidade que marca os bastidores de sua gestão.





