- De: Marcus Oliveira
- janeiro 4, 2026
Quando se pensa no futuro político de Pernambuco, alguns nomes naturalmente surgem como protagonistas. Outros, porém, aparecem como improváveis, não por falta de preparo, densidade política ou histórico público, mas por terem sido, pouco a pouco, empurrados para fora do centro das decisões. É nesse segundo grupo que, cada vez mais, parece se encaixar a vice-governadora Priscila Krause. E isso causa estranhamento.
Priscila não é um quadro decorativo. Nunca foi. Ao contrário: construiu sua trajetória com posições firmes, discurso direto e uma atuação marcada pela militância anticorrupção, pela vigilância sobre os gastos públicos e por uma postura aguerrida que sempre incomodou zonas de conforto do poder. Quem acompanha sua carreira sabe que ela não se esconde, não vira as costas e não corre do embate quando acredita estar do lado certo.
Ainda assim, hoje, no exercício da vice-governadoria, Priscila parece ocupar um espaço cada vez mais estreito, quase protocolar. Uma figura institucional correta, leal, austera, mas politicamente esvaziada.
A pergunta que se impõe é: por quê? Não se trata, ao que tudo indica, de falta de competência ou de alcance político. O problema parece residir em uma característica já bastante perceptível da gestão da governadora Raquel Lyra: a centralização extrema do protagonismo. Trata-se de um governo que, mesmo quando apresenta avanços pontuais e resultados positivos, que existem e devem ser reconhecidos, parece incapaz de permitir que seus quadros técnicos e políticos brilhem por mérito próprio.
Na prática, ninguém pode ofuscar o brilho da governadora. E quem ameaça fazê-lo, mesmo que involuntariamente, é mantido sob rédeas curtas.
No início da gestão, havia uma expectativa concreta de que Priscila Krause assumisse um papel mais estratégico, como a Chefia da Casa Civil. Ali, sua experiência, firmeza e capacidade de interlocução com o Legislativo poderiam ter sido plenamente utilizadas. Não seria apenas um gesto de confiança, mas também de inteligência política. Isso, no entanto, nunca se materializou.
O resultado é uma vice-governadora fiel, disciplinada e comprometida, qualidades raras na política, mas que vê seu capital político escorrer silenciosamente pelo ralo da invisibilidade institucional.
E aqui o questionamento deixa de ser apenas sobre Priscila Krause e passa a atingir o próprio desenho do poder em Pernambuco:Será que a governadora Raquel Lyra pensa, de fato, no futuro político de sua vice?
O que tem sido feito para garantir que, em um eventual cenário adverso, como uma derrota eleitoral, Priscila não saia da cena política enfraquecida ou descartável?
A fidelidade de Priscila é digna de nota. Em tempos de traições rápidas e alianças descartáveis, ela honra o cargo que ocupa e o projeto do qual faz parte. Mas fidelidade não deveria ser sinônimo de apagamento. Muito menos de sacrifício político unilateral.
Governos fortes não são feitos apenas de líderes centrais, mas de equipes que têm espaço para existir, errar, acertar e crescer. Quando uma gestão transforma quadros qualificados em figuras meramente ilustrativas, o prejuízo não é apenas individual, é institucional.
Resta saber se ainda há tempo para corrigir o rumo ou se Priscila Krause seguirá sendo lembrada, no futuro, como uma vice-governadora que tinha tudo para ser mais, mas foi impedida de voar.





